Série: A Missão
Parte 2 – Israel: Sacerdote para o mundo
Na primeira mensagem desta série aprendemos que todos nós temos uma missão.
Mas missão não está relacionada apenas com IR, está relacionada também com ESTAR.
Ou seja: fazemos missão onde estamos.
A proposta dessa série é olhar para a missão à luz das Escrituras, entendendo como Deus sempre teve um plano para alcançar o mundo.
Na mensagem passada falamos sobre o problema da humanidade: o pecado, e como Deus respondeu a cada avanço do homem em direção à rebelião.
Relembrando: a resposta benevolente de Deus
Ao longo de Gênesis vemos Deus respondendo ao pecado humano sempre com juízo, mas também com graça.
Éden
No Éden o homem rompeu com Deus e se escondeu.
Mas Deus foi ao encontro do homem.
Ele trouxe as consequências do pecado, como havia advertido, mas também apresentou uma solução.
Um animal foi morto e Deus cobriu a nudez e a vergonha deles com pele.
Desde o início vemos que Deus não abandona o homem, Ele providencia redenção.
O primeiro homicídio
Caim mata seu irmão Abel.
Mesmo diante de um crime tão grave, Deus responde com misericórdia.
Ele coloca uma marca em Caim para que ninguém o matasse.
Noé
A iniquidade da humanidade cresce a ponto de se tornar insuportável.
O juízo de Deus vem por meio do dilúvio.
Mas antes disso Deus prepara uma arca.
Quem ouvisse a pregação de Noé poderia entrar e ser preservado.
Mais uma vez vemos juízo e graça caminhando juntos.
Babel
Em Babel, a humanidade se rebela formalmente contra Deus.
Eles dizem:
-
vamos construir uma torre que alcance os céus
-
vamos construir uma cidade
-
vamos fazer um nome para nós
-
para não sermos espalhados pela terra
Aqui vemos algo profundo:
Eles queriam segurança sem Deus,
identidade sem Deus,
direção sem Deus.
Foi uma decisão deliberada de viver independentemente de Deus.
E é nesse contexto que Deus chama Abraão.
Abraão: a resposta para Babel
Gênesis 12:1–3
“Saia da sua terra... e vá para a terra que eu lhe mostrarei.
Farei de você uma grande nação...
Tornarei famoso o seu nome...
e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados.”
Observe o contraste:
Babel dizia:
“Vamos fazer um nome para nós.”
Deus diz a Abraão:
“Eu farei o seu nome grande.”
Babel buscava segurança sem Deus.
Deus promete proteger e abençoar Abraão.
Babel queria construir uma cidade para permanecer.
Deus diz a Abraão:
“Saia.”
A progressão da série
Nesta série vamos seguir esse desenvolvimento bíblico:
-
Abraão – o início do plano
-
Israel – o povo da aliança
-
A Igreja – a continuação da missão
-
Nós – nossa participação hoje
Hoje vamos olhar para Israel.
A pergunta é:
Para que Israel existia?
O propósito de Israel
Êxodo 19:4–6
“Vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.”
Nesse texto vemos quatro verdades:
Deus lembra Israel que:
-
Ele os libertou do Egito
-
Ele os trouxe para perto de si
-
Eles seriam um povo especial
-
Eles teriam um propósito
E o propósito era claro:
Ser um reino de sacerdotes.
Israel não foi escolhido para privilégio, mas para missão
Israel não foi escolhido para:
❌ exclusividade espiritual
Mas para:
✅ responsabilidade missionária
Deus estava dizendo:
“Eu vou me revelar a vocês para que vocês me revelem ao mundo.”
O que significa ser sacerdote?
Um sacerdote tem duas funções:
-
representar o povo diante de Deus
-
representar Deus diante do povo
Israel foi chamado para:
-
mostrar como é viver sob o governo de Deus
-
demonstrar justiça, misericórdia e santidade
-
ser uma vitrine do Reino
Israel deveria ser a referência do mundo.
O grande desafio de Israel
O problema não estava no plano de Deus.
O problema estava na natureza humana caída.
Israel falhou porque a lei externa não transforma o coração interno.
Três evidências desse desafio
1 – Medo da intimidade
Êxodo 20:18–21
Quando Deus se manifesta no monte Sinai, o povo tem medo.
Eles dizem a Moisés:
“Fale você conosco. Não queremos que Deus fale diretamente.”
Eles preferiram mediação em vez de proximidade.
2 – Rejeição do Rei
1 Samuel 8:19–20
Israel pede um rei.
Eles dizem:
“Queremos ser como todas as outras nações.”
Deus queria que fossem uma nação distinta.
Mas eles queriam ser comuns.
3 – Incapacidade de obedecer
Êxodo 24:7
O povo promete obedecer a Deus.
Mas repetidamente falha.
Alguns exemplos:
-
o bezerro de ouro
-
murmuração no deserto
-
idolatria em Baal-Peor
-
injustiça nos reinos
A conclusão é clara:
Lei externa não transforma natureza interna.
Deus não queria apenas comportamento.
Ele queria o coração.
A tragédia de Israel
Israel foi chamado para:
-
ser vitrine
Mas se tornou:
-
reflexo das nações
Foi chamado para:
-
ser distinto
Mas quis ser:
-
comum
Foi chamado para:
-
revelar o nome de Deus
Mas buscou segurança como as outras nações.
Quando um povo sacerdotal perde sua distinção, ele perde sua missão.
Aplicações para nós
1 – Deus sempre quis alcançar o mundo
Israel não era o fim da bênção.
Era o meio pelo qual Deus queria abençoar o mundo.
2 – Deus trabalha por meio de um povo
Vivemos numa época que supervaloriza o individualismo.
Mas Deus se revela por meio de um povo.
Israel é chamado coletivamente de filho.
Êxodo 4:22
“Israel é o meu filho primogênito.”
No Novo Testamento aprendemos:
-
somos corpo
-
o Pai é nosso
-
o pão é nosso
A missão é coletiva.
3 – Santidade é essencial para a missão
Sem transformação interior, a missão se perde.
Santidade não é isolamento.
Santidade é representação.
1 Pedro 2:9–10
“Vocês são geração eleita, reino de sacerdotes, nação santa... para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”
Missão não é evento.
Missão é identidade.
Você não foi salvo para se misturar.
Você foi salvo para revelar Deus.
Conclusão
O plano de Deus nunca mudou.
Deus sempre quis:
-
um povo
-
sacerdotes
-
uma vitrine
-
uma referência para o mundo
Você não foi chamado para ser reflexo da cultura.
Você foi chamado para ser revelação do Reino de Deus.
