O SACRIFÍCIO
Texto base: Hebreus 9:22
“De fato, segundo a lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem derramamento de sangue não há perdão.”
1. O contexto da Carta aos Hebreus
O escritor da carta aos Hebreus escreve a judeus convertidos ao cristianismo, que estavam sendo tentados a desistir da fé e voltar ao judaísmo por causa da perseguição e da ausência dos rituais visíveis do antigo sistema religioso.
Por amor a esses irmãos, o autor apresenta uma série de argumentos mostrando que vale a pena sofrer — e até morrer — por Cristo, pois Ele é infinitamente superior a tudo o que veio antes.
Entre essas argumentações, ele apresenta Cristo como superior:
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Aos anjos
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À Lei
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A Moisés
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E, no trecho que lemos, ao sistema sacrificial, mostrando que o sangue de Cristo é superior ao sangue dos animais.
Aqui, o escritor toca no cerne da Lei no que diz respeito ao perdão:
👉 Sem derramamento de sangue, não há perdão.
2. A ideia do sacrifício desde o primeiro pecado
Desde Gênesis, Deus estabelece um princípio:
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Adão e Eva pecaram e deveriam morrer.
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Costumamos dizer que a advertência de Deus se referia apenas à morte espiritual e à morte física progressiva.
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Porém, muitas vezes ignoramos um detalhe fundamental: houve uma morte substitutiva.
Um cordeiro foi morto para cobrir a nudez de Adão e Eva — no lugar deles.
Essa é a base de toda a Lei:
👉 inocentes morrem no lugar de culpados.
3. Os tipos de sacrifícios na Lei
Para entender a solução de Deus, precisamos compreender os sacrifícios prescritos na Lei.
3.1 Holocausto – Levítico 1:1–9
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Logo na entrada do átrio do templo havia um altar.
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No holocausto, o animal era totalmente queimado.
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Havia, sim, uma ideia de perdão, mas o principal propósito era entrega total ao Senhor.
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Nenhuma parte do animal era poupada.
👉 O holocausto representava consagração completa.
3.2 Oferta pelo Pecado – Levítico 4:13–20
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Essa oferta era feita por pecados involuntários.
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Quando a pessoa tomava consciência do pecado, deveria ir ao sacerdote e oferecer o sacrifício.
👉 O foco aqui é o pecado cometido sem plena consciência.
3.3 Oferta pela Culpa – Levítico 6:1–7
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Aplicava-se a casos de fraude, prejuízo ou injustiça contra o próximo.
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O culpado deveria reparar o dano e oferecer um sacrifício.
👉 Envolvia responsabilidade civil e culpa moral.
3.4 E os pecados deliberados?
Pecados cometidos intencionalmente, com plena consciência, não tinham sacrifício previsto na Lei.
Na maioria dos casos, a punição era a morte do pecador.
Isso revela as limitações do sistema:
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Os sacrifícios não resolviam para sempre.
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Nem todo pecado era percebido pelo pecador.
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Nem todo pecado tinha sacrifício — alguns exigiam a morte.
4. A superioridade de Cristo
É aqui que o escritor aos Hebreus aponta a grande verdade:
👉 Em Cristo não há limites. Ele é o sacrifício perfeito.
5. Cristo como cumprimento de tudo
Colossenses 2:17
“Tudo isso é sombra das coisas que estavam por vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo.”
Tudo no Antigo Testamento apontava para Cristo.
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Cristo é o Holocausto:
Ele se entregou completamente ao Pai. Sua vida perfeita agrada a Deus, e é essa justiça que fundamenta a nossa justificação. -
Cristo é a Oferta pelo Pecado:
Não temos consciência de todos os nossos pecados. Mesmo assim, em Cristo, todos os nossos pecados — inclusive os inconscientes — foram perdoados. -
Cristo é a Oferta pela Culpa:
Somos chamados a reparar danos e assumir responsabilidades, mas ainda assim permaneceríamos em débito com Deus. Cristo paga essa dívida por nós.
6. E os pecados deliberados?
O pecado deliberado é aquele cometido sabendo que é pecado.
No Antigo Testamento, esses pecados eram passíveis de morte. Ainda assim, vemos exceções:
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Davi, que adulterou e se arrependeu profundamente.
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Manassés, que cometeu atrocidades e foi perdoado ao se humilhar diante de Deus.
As exceções não anulam a regra, mas revelam que a graça e a misericórdia de Deus já estavam presentes.
👉 O que era exceção no Antigo Testamento se tornou regra em Cristo.
No Novo Testamento vemos:
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A mulher pega em adultério
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O ladrão na cruz
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Paulo, perseguidor e provável assassino de cristãos
Todos encontraram perdão em Cristo.
7. E Hebreus 10:26–29?
Esse texto não fala de um crente que luta contra o pecado, mas de apostasia.
Apostasia é abandonar conscientemente a obra de Cristo e voltar a viver no pecado sem arrependimento.
O argumento do autor é claro:
👉 Se você rejeita o único sacrifício eficaz, não resta outro.
Cristo é o único meio de salvação.
8. O holocausto aplicado a nós
Romanos 12:1–2
Paulo aplica a ideia do holocausto à vida cristã:
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No holocausto, tudo era queimado.
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Paulo diz que agora nossa vida inteira deve estar no altar.
Isso envolve:
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Obras
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Planos
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Agenda
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Prioridades
Nossa vida deve ser vivida intencionalmente, como um culto racional a Deus.
👉 Só experimentamos tudo de Deus quando Deus tem tudo de nós.
Conclusão
Cristo é tudo o que precisamos.
E quando recebemos tudo de Cristo, Ele passa a requerer tudo de nós.
